Todas minhas lindas mulheres Preferem homens ricaços, Mesmo que sejam feios, A um nobre artesão.
Eu, meu ilustre alferes, Um puta estardalhaço, Nobre, mas sem dinheiro Vivo só de ilusão.
24.4.09
O poeta pede a seu amor que lhe escreva Garcia Lorca
Amor de minhas entranhas, morte viva, em vão espero tua palavra escrita e penso, com a flor que se murcha, que se vivo sem mim quero perder-te. O ar é imortal. A pedra inerte nem conhece a sombra nem a evita. Coração interior não necessita o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias, tigre e pomba, sobre tua cintura em duelo de mordiscos e açucenas. Enche, pois, de palavras minha loucura ou deixa-me viver em minha serena noite da alma para sempre escura.
Desejo de sexta-feira:
uma radiola empoeirada um LP de Vinícius uma garrafa de vinho uma taça mal lavada uma lua cheia de nuvens e um céu coberto de estrelas
7.2.09
Por que nos paramos em coisas tão idiotas como o que ela quis dizer com isso
Por que essa mania de ser de(ma)s(iadamente) humano
que coisa chata
chatos sao paranteses em poemas
és tu pranto às palavras
3.2.09
De vez em quando a gente se sente meio sozinho, vivendo uma vida de faz de conta, falando meias verdades fazendo tipo de bacana, suprimindo a vontade com falsos sorrisos e mesmo assim tem seu carro próprio, seu apê e dois vasos de flor.
De vez em quando é como qualquer outro dia, você acorda e se vê num espelho limpa os olhos e amacia a barba percebe que nao passa de um ser qualquer um desses jogados à mercê do tempo e do destino e leva a vida assim bem sossegado sem relógios pontuais.
De vez em quando o corpo enrola por dentro, o sangue jorra em meio às entranhas, qualquer suspiro é motivo pra dor um beijo sincero não é mais que isso, mas o abraço apertado vale mais que remédio e você fica doido pro futuro chegar
Eu não sei muito bem qual é o propósito de aqui estar, talvez porque esteja sem televisão. Eu não sei nem mesmo qual é a cor da minha cueca, caso esteja com uma. Meus gritos ecoam num abismo já repleto de lamúrias. Tenho vivido uma vida desgraçada, mesmo que por opção e, como minha terapeuta encontra-se, no mínimo, a uns 1600 km e eu não posso sequer telefoná-la. Falta *um puto no bolso para comprar um mísero cartão telefônico.
Essa noite sonhei e, no sonho, vi a cara de um porco. Um ser estranho, tal como um barrão, marrom, me olhando, me encarando. Dizem que sonhar com porco ou com merda é sinal de sorte. Agora, nao me perguntem como chegaram à essa conclusão. Eu achava que sonhar com merda seria algo "cara, você tá realmente fudido". Prefiro manter minha mediocridade imaginando que meu delírio possa mesmo ser sinal de bonança. Depois que cheguei em Astúria, as borboletas começaram a me rondar.
*se quiser ser escritor, você tem que usar o termo "um puto no bolso"
25.9.08
canudinho que faz curva tem mais história pra contar